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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

DIREITO VERSUS LIBERDADE



Uma das discussões mais acaloradas é a do Direito de Privacidade versus  Liberdade de Expressão. Os dois conceitos são, isoladamente, relevantes e merecem, ambos, a mais atenta consideração. No entanto, qual teria prioridade quando esses dois conceitos se conflitam? Essa parece ser a matéria em discussão. Pergunto-me, alias, qual a necessidade de discuti-la a não ser que se trate de abolir, arbitrariamente, leis e direitos inalienáveis já existentes. A verdade é que não vejo como o direito à privacidade possa ou deva ser ameaçado pela liberdade de expressão. A antiga afirmação de que a liberdade de um termina onde o direito de outro começa é gritante em minha mente e parece justificar, pelo bom senso, a escolha que faço entre as prioridades.  Uma outra afirmação muito em voga e, na minha opinião, um tanto falaciosa é a de que uma pessoa pública não tem direito à privacidade – o que, num futuro, não muito longínquo talvez, será permitido aos paparazzi  invadir a residência de uma pessoa, dita pública, fotografa-la a sua revelia e, quem sabe, mesmo em suas dependências sanitárias.  A coisa se complica quando chega no conflito entre o direito dos herdeiros e a  liberdade de expressão. Imagino o quanto esse direito se mostra incômodo à liberdade de expressão dos biógrafos e editores mas, ainda, segundo as leis vigentes, um herdeiro tem direito não só ao dinheiro e propriedades de seus parentes como também a sua imagem assim como à faculdade de negociar qualquer desses itens a sua vontade. Porque, afinal, é no direito de hereditariedade que se funda, há muitos séculos, desde o advento do Patriarcado, a sociedade à qual todos pertencemos.  


C.L. Setembro de 2015

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

CAROLICE


                                        
Até por ser um leitor assíduo da Bíblia (na minha opinião um dos melhores livros já escritos) e defensor de todas as religiões, é que me sinto perfeitamente no direito de não professar nenhuma e, ao mesmo tempo, ser averso a qualquer tipo de fanatismo religioso. Por exemplo, sinto-me extremamente desconfortável ante seitas muçulmanas que, contrariando o Corão de Maomé, pregam terrorismo, prática de homens-bomba, ataque às torres gêmeas e coisas tais.
Um tipo de fanatismo menos violento, mas nem por isso menos pernicioso, é um muito comum no catolicismo: a carolice. Quando aluno do Salesiano achava-me domingo, no pátio do colégio, no horário da missa, quando a professora Maria José, de português e religião, veio verificar porque alguns alunos não estavam na Igreja. Para não parecer agressivo confessando-me agnóstico, declarei que não ia à missa por ser protestante, o que provocou na piedosa senhora a seguinte reação: “Ah! Que horror!”  Uma jovem carola, já de outra feita, me confessou estar lendo o Corão  “para conhecer o inimigo…”
A carolice não admite, ademais, que certos homens de ciência a exemplo de Freud, Darwin e Marx, tivessem se declarado ateus e materialistas, como se acreditar fosse uma questão de escolha e não de fé. Li também o comentário (em parte justificável) de outro carola que afirmava terem os holocaustos soviético, chinês e cubano matado, de per si, muito mais gente do que a Inquisição católica. Como se o assassinato em menor quantidade justificasse, mesmo em parte, o crime. Sacrificar uma única pessoa, que seja, por motivos religiosos ou políticos, já é chegar ao holocausto.
Em tempo:
Nem sequer sou católico, mas senti-me imensamente gratificado quando, entre tantas contribuições para a modernização da Igreja Católica, o simpático Papa Francisco resolveu pela admissão dos animais no céu. Sempre achei que os bichinhos são seres de outros planetas e isso, além de me alegrar, me lembrou outra suave pessoinha, a atriz Audrey Hepburn quando, ao lhe perguntarem se achava que os animais também iam para o céu, respondeu: “É claro, senão não seria céu...”

C.L. agosto de 2015

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

DESENCANTO ESTÉTICO



Daqui por diante estarei descarregando e por escrito, tudo o que vem me inquietando, em todos os sentidos: politico, social, cultural, profissional, existencial, etc., no que diz respeito a nossa presente realidade nacional.

Para começar, quero manifestar meu desencanto estético, tendo em vista o atual abandono, por parte da maioria das mulheres, quanto ao cuidado com os pés. Não que eu seja um podólatra inveterado, ou coisa parecida, mas o descaso que resulta em pés encardidos, maltratados, tatuados, unhas descascadas, esmaltes verdejantes e outras tragédias, mostra que a decadência do nível intelectual não é uma coisa isolada na cultura brasileira mas deslocou-se de norte a sul, ou seja, do cérebro para os membros opostos a ele. O incômodo, que em vista disso os pés masculinos portando chinelões, causa a meu amigo Claudio Botelho torna-se uma suave idiossincrasia.


C.L. Agosto de 2015

BOI IRLANDÊS



Depois de postar tantas coisas sérias, sinto-me na necessidade de falar besteiras, como é de fato um hábito meu e bem carioca, aliás. Especialmente depois de ver na Internet que um fazendeiro da Irlanda (terra dos machões) se desfez, insensivelmente a meu ver, de um touro que não se inreressava por vacas e sim por… outros bois. Não pude deixar de ver no bichinho um legítimo boiola…


C.L. Agosto de 2015

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

TRADICIONALISMO

                             


O que parece faltar no Brasil de hoje é um partido conservador, tradicionalista, ainda que totalmente distinto de direita radical. Se bem já não exista no Brasil o que se possa chamar de Direita, existe no entanto uma Esquerda, seja ela lá qual for. Esquerda e Direita afinal necessitam-se, mutuamente, para gerar o princípio dialético de movimento. Getúlio Vargas, apesar de ter sido um ditador e simpatizante do fascismo, ao criar o Partido dos Trabalhadores (PTB) teve a clareza de criar em seguida seu antídoto, o Partido Social Democrata (PSD), exatamente para estabelecer o movimento entre forças contrárias.
O brasileiro é, tradicionalmente, um povo conservador e religioso, ou um político como Bolsonaro não seria eleito com um número tão significativo de votos – até mesmo por falta de melhores opções. Certamente não sou de direita mas, apesar de  esquerdista, não posso me identificar com a esquerda de nosso tempo que se expressa através de capitalismos globalistas, stalinismos soviéticos, seitas muçulmanas e partidos democráticos como o de Barack Obama e o PT.
O capitalismo liberal, que vem perdendo terreno nas últimas décadas, tem sido confundido, mesmo pelo Vaticano e há séculos, com a usura agiota do mercantilismo medieval, o que abre espaço para o capitalismo globalista apoiado pelas esquerdas. A esquerda do PT, por sua vez, simpatiza com pseudosocialistas que repudiam as religiões e pregam a Ditadura do Proletariado, como se um estado democrático pudesse compactuar com qualquer espécie de ditadura. Para subsistir, é claro que a esquerda, enquanto minoria, necessita de alianças, ao mesmo tempo que só pode ser controlada quando inserida em algum tipo de aliança; ou não teria havido, na Itália, o Pacto de Metz entre a U.R.S.S e a Igreja Católica.
Uma Esquerda, coerente, se apoiaria na filosofia marxista que não é revolucionária mas evolucionária porque acredita na evolução natural da História. Mesmo não professando nenhuma religião, respeita, antes que tudo, a liberdade de culto, assim como a de expressão e de opiniões políticas. A história sabe que a sociedade escravagista levou séculos para evoluir no Mercantilismo medieval e este, outro tanto em séculos, para evoluir em um capitalismo hoje dividido entre capitalismo liberal e capitalismo globalista. O que se espera portanto, se bem a longo prazo, é que o capitalismo evolua, eventualmente, em socialismo - não em ditadura do proletariado, mas numa sociedade sem classes.
O importante, agora, seria prestigiar o capitalismo liberal não esperando, no Brasil, quaisquer soluções que venham apenas de dois partidos de esquerda, estes oriundos do mesmo saco, PT e PSDB mas acrescentando, talvez, uma terceira opção: um partido conservador que reflita o tradicionalismo e a religiosidade do povo brasileiro.


C.L. Agosto de 2015